Estenio Marques • 24 set 2026

Lugar em Lugar, um projeto de moto e mergulho pelo mundo

Seja muito bem-vindo(a) ao "Lugar em Lugar", um projeto de moto e mergulho pelo mundo. Meu nome é Estenio, e sou o idealizador desta jornada que me levará por 40 países, 5 continentes e mais de 100 mil kms. Se você já me acompanha, sabe da minha paixão por essa aventuras

Aventura
Lugar em Lugar, um projeto de moto e mergulho pelo mundo

Seja muito bem-vindo(a) ao "Lugar em Lugar", um projeto de moto e mergulho pelo mundo. Meu nome é Estenio, e sou o idealizador desta jornada que me levará por 40 países, 5 continentes e mais de 100 mil kms. Se você já me acompanha, sabe da minha paixão por essa aventura; se está chegando agora, seja muito bem-vindo(a)! Lembro que este texto está conectado aos perfis do Instagram ( @LugarEmLugar ), TikTok ( @LugarEmLugar_ ) e Spotify (lugaremlugar).

A Imponência da Mudança

Estamos no episódio 3 dos relatos, a apenas um dia do início desta grande jornada. Que loucura! Após 8 anos de planejamento, sacrifícios e luta, é real! Agora, com a partida iminente, estou exatamente no processo de fazer as malas. E é sobre isso que quero falar: fazer as malas.

Você já se viu diante de uma mudança? Seja ela imposta ou uma escolha pessoal? Ao longo dos meus 40 anos, morei em diversas cidades – cinco ou seis, se não me engano. Seja por estudo ou trabalho, acostumei-me a mudar, especialmente nas últimas duas décadas. A cada três ou quatro anos, mudava de cidade e, por vezes, de residência dentro da mesma localidade. A mudança, para mim, sempre fez parte da minha trajetória e, para ser sincero, me faz muito bem.

A mudança envolve uma série de sentimentos. Percebo que muitas pessoas têm restrições a ela, o que não é o meu caso. Enquanto monto minhas malas, lembro-me da minha primeira experiência de mudança. Não a primeira, mas a que me levou a Viçosa para estudar, onde permaneci por seis meses antes de abandonar o curso e seguir para a filosofia. Comecei com computação, sou da geração de 84, que viu o boom dos videogames e PCs. Minha cidade natal, Timóteo, no leste de Minas, era um polo industrial com uma pegada de inovação nas décadas de 60, 70, 80 e início dos 90. Essa pujança econômica trazia dinheiro, inovação e novas perspectivas. Lembro-me que minha geração foi contagiada pelo universo dos videogames e PCs, e eu me juntei a eles por gostar. No entanto, ao tentar estudar, percebi que não era o que queria e mudei de rumo. Desde então, a mudança tem sido uma constante em minha vida, e sinto-me bem com essa frequência.

A Instabilidade como Motor

Conheço-me bem aos 40 anos e refleti bastante sobre quem sou. Sei que sou um homem do movimento, da mudança, não sou estático. Quando sinto que estou estável, isso vai contra a minha natureza e geralmente traz consequências negativas. É estranho, mas estar confortável me prejudica, embora essa não seja a realidade para outras pessoas; falo por mim. Preciso estar fora da estabilidade, na instabilidade. É ali que me sinto bem, onde consigo manejar as situações, como navegar. Faço uma analogia com o mar, ao qual sou ligado pelo mergulho. Tenho o desejo de velejar um dia, mesmo sem saber nada sobre veleiros, mas sou apaixonado e farei isso. Já decidi que em uns quatro anos terei um veleiro. A analogia da inconstância e imprevisibilidade do mar serve para a minha vida; identifico-me como alguém que consegue lidar com a mudança e a instabilidade.

 

A Mudança Radical e o Essencial

Agora, estou fazendo as malas para uma mudança ainda mais radical, que impacta diversos aspectos da minha vida. Não apenas pessoalmente, mas também profissionalmente. Deixei um trabalho no mercado financeiro onde estive envolvido por 15 anos, um trabalho que me permitiu prosperar e viabilizar esta viagem e algumas conquistas materiais. Contudo, em termos de significado, não me conectava. O mercado financeiro, com todo o respeito a quem atua nele, não tem significado humano. Não digo que não seja útil ou fundamental, mas em termos de entrega e retorno para além do financeiro, oferece muito pouco. Brinco com amigos que trabalhos bem remunerados geralmente carecem de significado, e a recompensa financeira serve como um "cala a boca" para comprar coisas e evitar questionamentos. Estou viajando? Comente se já pensou sobre isso. Geralmente, trabalhos com alto significado pagam menos – como o de professor, por exemplo. Eu também sou professor de filosofia, e embora não tenha atuado muito, tenho a formação e pretendo voltar a lecionar durante ou após esta volta ao mundo de moto.

Esta mudança é a mais intensa da minha vida, pois impacta tudo: trabalho, relacionamentos, amizades, estabilidade – tudo o que construí até então. É uma mudança radical que me levará a outras culturas, outros lugares, com novos aprendizados, e estou muito feliz com ela. Mas o cerne deste podcast é “fazer as malas”.

O que você sente quando precisa mudar? Existem dois tipos de mudança: a imposta, seja por alguém ou por circunstâncias fora do seu controle, e a que você se propõe. A mudança planejada é muito mais simples, pois você já avaliou o cenário, pesou os prós e contras e decidiu que vale a pena. Quando a mudança é imposta, geralmente é mais dolorosa, por ser inesperada. Mas, ao fazer as malas, o que você sente?

Estou fazendo as malas e levarei tudo o que tenho. O desafio é que tudo precisa caber em uma moto. Isso mostra que não tenho muitas coisas, mas, ao mesmo tempo, tenho muitas coisas! Estou montando as malas e já tenho duas laterais, um baú traseiro e uma mochila cheia. Claro, há itens de reposição para a moto, equipamentos para gravar conteúdo, e coisas da viagem. É muita coisa, e tenho certeza de que não usarei tudo. Durante a jornada, vou me desfazer de muitas coisas, seja doando, passando adiante ou descartando. Faz parte.

Mas o ponto é: você já se imaginou pegando tudo o que tem e colocando em algo sobre duas rodas? Ou quatro rodas? Em algo móvel? Você consegue imaginar? Agora, na sua casa, você diria: "Vou montar minhas malas e tudo tem que caber em uma moto, em um carro"? Para pra pensar…

Lembro-me da primeira vez que tive que mudar. Eu tinha um Golzinho, por volta de 2008 ou 2009. Decidi mudar por causa do trabalho, mas por escolha própria, e levei apenas o que cabia no carro. Tive que me resolver com o que coube, e assim foi. Desde então, venho diminuindo meus pertences. Agora, estou colocando tudo o que tenho, exatamente tudo, em cima de uma moto, e ainda acho que é muita coisa.

 

O Essencial da Jornada

Fica a reflexão sobre fazer as malas: o que é de fato essencial? Essa é uma das perguntas mais importantes da minha volta ao mundo. Já a fiz para mim e quero que a jornada me ensine a resposta. O que é essencial para nós? Para mim? O que realmente não conseguimos viver sem? O que está na essência, na raiz? E o que nos faz, como seres humanos, nos identificarmos uns com os outros, sermos, no final das contas, o mesmo, embora sejamos diferentes?

Talvez eu tenha divagado um pouco, mas é sobre isso. Fazer as malas é basicamente selecionar o que você necessita e o que não necessita. No entanto, às vezes selecionamos muitas coisas que achamos que precisamos, que são necessidades, mas na verdade não são. Às vezes é desejo ou algo supérfluo. Essa é uma pergunta que quero responder durante esta jornada. Você já se perguntou sobre isso? Fazer as malas é um ato libertador, e está sendo assim para mim, embora eu esteja lotando minha moto de coisas. Inclusive, vá ao Instagram e TikTok para ver como ela parece uma penteadeira de vó lotada. Tenho certeza de que metade daquelas coisas nem precisavam estar ali, mas é tudo o que tenho.

Durante a jornada, a própria jornada me dirá o que é de fato essencial. Vamos em frente! Não há tempo a perder, meus amigos. Um abraço a todos, a gente se vê.

Estenio Marques - Moto viajante em jornada pelo mundo. Texto transcrito do Ep. 3 do podcast. Ouça no Spotify. Link no Instagram @lugaremlugar


Conheça mais
As novidades e assuntos mais importantes do mundo duas rodas você encontra aqui.